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  • Por: Márcio Botelho
  • Publicado em: 12 de janeiro de 2021

Por que vocês não fazem reprint do meu jogo favorito?

O REPRINT DE UM JOGO PODE TER INÚMEROS ENTRAVES. SAIBA COMO ISSO AFETA AS DECISÕES DAS EDITORAS BRASILEIRAS

Na última sexta-feira, dia 8 de janeiro, foi o aniversário de 4 anos de publicação do jogo Mombasa no Brasil. Esse eurogame, criado por Alexander Pfister, até hoje possui fãs e é o favorito de muita gente. A postagem comemorativa em nosso perfil do Instagram recebeu centenas de curtidas e um pedido foi repetido a exaustão: queremos um reprint!

Uma nova tiragem de Mombasa parece um bom negócio: um título com qualidade comprovada, de um autor que é um dos grandes game designers de sua geração, que é valorizado por grande parte da comunidade e o fato de ele estar a muito tempo fora do catálogo são fatores que provavelmente garantiriam vendas expressivas.

Então por que a editora não faz esse reprint logo?

As tiragens mundiais

Mombasa, assim como diversos jogos do catálogo da MeepleBR, como Clãs da Caledônia ou Colt Express, não foram produzidos no Brasil. Esses jogos são de propriedade de editoras estrangeiras, sendo a MeepleBR responsável pela tradução e distribuição desses produtos no mercado brasileiro.

Visando diminuir os custos de produção, bem como garantir um determinado padrão de qualidade, sua produção normalmente fica centralizada em uma única fábrica e é de responsabilidade da editora que detém a propriedade sobre a marca. Os tabuleiros, manuais, componentes de madeira, cartonados e demais materiais são todos feitos fora do Brasil.

Como isso nos afeta?

Essa prática é boa pois garante preços um pouco mais acessíveis ao mesmo tempo em que gera um padrão de produção, porém leva ao problema de que novas tiragens não são controladas pelas editoras parceiras e dependem do interesse da editora principal que é a dona da marca/jogo.

Muitos fatores podem levar a editora estrangeira a não fazer o reprint de um jogo.

Primeiramente é necessário lembrar que um jogo que tenha tido boas vendas no mercado brasileiro pode não ser um best seller fora de nosso país. Jogos com vendas gerais baixas, ou abaixo do esperado, podem não ganhar uma reimpressão, apesar de serem divertidos e terem qualidades. Não custa lembrar que jogos de tabuleiro são parte de uma indústria, o que implica que o lucro é fundamental para garantir a continuidade do mercado.

Outro fator que podemos levar em conta é a questão dos direitos de propriedade intelectual. Ilustrações, marcas, personagens de livros, filmes ou séries de TV, podem possuir outros detentores dos direitos de reprodução e comercialização desse material. Contratos que possuam um prazo limitado demandam renovação, o que pode trazer custos e a necessidade de uma nova negociação de licenças (um processo por vezes longo e burocrático).

Além disso, podemos acrescentar a questão das mudanças de percepção do público em relação a determinados temas e abordagens. A dez ou quinze anos atrás a representatividade feminina e negra não eram pautas tão presentes na indústria dos board games, mas atualmente é difícil negar a importância dessas questões em nossa sociedade. Jogos com temáticas sensíveis, como o colonialismo, podem trazer problemas que uma editora deseja evitar.

Tentando agilizar os reprints

Nesse cenário o papel das editoras brasileiras possui algumas limitações.

Na prática a principal arma das editoras brasileiras é a comunicação, a persistência e a paciência.

Manter contato constante com as editoras parceiras é fundamental, em especial pelo fato de que manter essa via de diálogo aberta pode auxiliar na tradução e distribuição de outros jogos no país.

Persistir, mesmo quando não se recebe uma resposta sobre o reprint tão desejado, é uma virtude. Alguns consumidores ficariam surpresos como é comum não receber respostas sobre a publicação de um produto. O que a gente faz é segurar a ansiedade, esfriar a cabeça e continuar insistindo.

Por fim, paciência é fundamental. Aquele jogo que amamos e que adoraríamos ver novamente nas prateleiras das lojas pode não vir agora, mas nada garante que esse cenário não mude para o ano seguinte.

A intenção com esse informe não é desesperar ninguém ou dar um balde de água fria. O objetivo foi mostrar que nem tudo depende das editoras brasileiras, que na maioria das vezes queremos certos reprints tanto quanto o público e que a gente tem de manter as esperanças, mas de uma maneira consciente e calcada na realidade.

Mas conte aí para a gente: qual reprint você gostaria de ver a MeepleBR trazendo para o Brasil?

Márcio Botelho

Raça: Humano. Alinhamento: caótico e bom. Classes: Historiador 6, Crítico literário 4 e Nerd 10. Sonhando com um reprint maroto de Clãs da Caledônia.

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