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  • Por: Márcio Botelho
  • Publicado em: 26 de janeiro de 2022

O jogo de cartas do Terraforming Mars

EXPEDIÇÃO ARES, JOGO QUE CHEGA AO BRASIL PELA MEEPLEBR, LEVA OS JOGADORES AO PLANETA VERMELHO

Desde seu lançamento, em um não tão distante ano de 2016, Terraforming Mars é sinônimo de sucesso. Amado por fãs de jogos estratégicos, ficção científica e de diversão inteligente, o jogo se consolidou como um dos mais queridos do público brasileiro.

A cada nova expansão o interesse pelo jogo se renova, o que sempre aumenta o número de entusiastas desse verdadeiro clássico moderno.

Quando a Fryxgames, em parceria com a Stronghold games, anunciou o lançamento de Terraforming Mars – Expedição Ares, muitos fãs ficaram com dúvidas sobre o que era esse novo produto dentro da Linha Terraforming Mars.

Para facilitar a vida de quem curte jogos de tabuleiro, decidimos reunir as principais informações sobre Expedição Ares para você ficar por dentro desse grande lançamento.

Visão Geral

UMA MENSAGEM DE ESPERANÇA: Nesta época de prosperidade e avanço sem precedentes para a humanidade, finalmente estamos prontos para expandir além do que era considerado nosso limite e fazer um novo lar entre as estrelas. Marte é mais que apenas um novo mundo para abrigar nossa população em constante expansão. É também o primeiro passo da humanidade nesta caminhada rumo ao aproveitamento de todo o nosso universo.

Teri Ngo, Agente de ligação Astro para as Nações Unidas, 10 de janeiro de 2315 d.C.

Terraforming Mars – Expedição Ares convida os jogadores a participarem da grande odisseia humana pelo Sistema Solar. Cada jogador é o responsável por uma das grandes corporações que devem transformar Marte em um planeta habitável.

O objetivo é garantir que o Planeta Vermelho possua parâmetros globais adequados para suportar a vida humana: 14% de oxigênio na atmosfera, cobertura oceânica suficiente para sustentar um ciclo hidrológico e temperaturas médias de +8°C. Atingir esse objetivo grandioso consumirá imensas quantidades de recursos e de trabalho, mas no final a humanidade terá um novo lar para iniciar a grande jornada de exploração galática.

Expedição Ares pode ser jogado de 1 a 4 jogadores, possuindo complexidade média e garantindo partidas com média de duração de 60 minutos. As mecânicas de gestão de mão, seleção simultânea de ações, geração de receitas e os poderes variados indicam que estamos diante de um típico jogo do estilo euro.

Após a preparação para o jogo, na qual acontecem a montagem do tabuleiro central e a entrega dos tabuleiros individuais e recursos iniciais para cada jogador, inicia-se a contagem das rodadas que possuem uma estrutura fixa e dividida em três etapas: planejamento, resolução de fases e final de rodada.

Na etapa de planejamento, cada jogador deve escolher uma de suas cinco cartas de fase. Ele não pode selecionar a mesma fase por duas rodadas seguidas.

Durante a resolução de fases é feita uma verificação. Caso uma fase tenha sido escolhida por um jogador, todos os participantes devem resolvê-la. As cinco fases são:

  • Fase de desenvolvimento: o jogador pode gastar recursos para jogar cartas de projeto verdes.
  • Fase de construção: o jogador pode gastar recursos para jogar cartas de projeto azuis ou vermelhas.
  • Fase de ação: o jogador pode usar os efeitos de ação das cartas que ele já tenha colocado em jogo.
  • Fase de produção: nesse momento os jogadores recebem recursos levando-se em conta os índices de produção presentes em seu tabuleiro individual.
  • Fase de pesquisa: é possível adquirir novas cartas de projeto para melhorar sua estratégia.

As fases são resolvidas simultaneamente, o que ajuda a diminuir o tempo de espera durante as partidas. Além disso, os jogadores que selecionarem uma fase em específico recebem bônus durante a fase em questão.

A etapa de final de rodada é o momento de limpeza da mesa e preparação para o começo de uma nova rodada.

O jogo términa assim que os três parâmetros globais (temperatura, oxigênio e cobertura oceânica) forem atingidos. Vence quem obtiver mais pontos de vitória (um sinal de que você contribuiu mais ativamente para o processo de terraformação).

Expedição Ares – um jogo completamente novo

Expedição Ares não é uma expansão para Terraforming Mars ou uma segunda edição do jogo original de 2016. Na caixa do produto, uma mensagem em letras grandes dá uma pista do que está diante do jogador que vai encarar esse desafio: o jogo de cartas de Terraforming Mars.

A descrição é simples, porém ajuda a entender uma série de elementos que caracterizam a jogabilidade de Expedição Ares.

O foco principal do jogo está nas cartas e na interação entre elas. A boa gestão de mão, a criação de uma máquina de pontos eficiente e o bom uso das cartas de projeto são fundamentais para conseguir uma pontuação alta.

Outro ponto que chama a atenção é a centralidade da mecânica de seleção de ações e como isso deixou a experiência mais ágil, diminuindo a duração dos turnos e permitindo que a partida flua em uma boa velocidade.

O foco do jogo não está mais no tabuleiro central ou em sua gestão. Ele continua presente no jogo, porém sua importância está fortemente atrelada ao monitoramento dos parâmetros globais: a disputa pelo controle de área deixa de ser um dos elementos para a pontuação durante as partidas.

Expedição Ares – o bom e velho Terraforming Mars

Apesar das muitas diferenças, Expedição Ares ainda é um jogo da linha Terraforming Mars. Isso fica claro quando pensamos na própria estrutura do elemento central do jogo: as cartas.

As cartas de projeto seguem a mesma estrutura básica que vemos em suas contrapartes do jogo de 2016: nome, custo em megacréditos, efeitos que alteram os parâmetros e/ou a produção de recursos e a possibilidade de criar combos entre as cartas.

As corporações são outro elemento que continua presente e garante uma alta rejogabilidade ao título. Velhas conhecidas dos fãs de Terraforming Mars marcam presença em Expedição Ares como Ecoline, Thorgate e Inventrix.

Recursos e parâmetros globais seguem os mesmos, porém com pequenas alterações que tornam seu manejo mais simples. Um exemplo disso é a questão do aço e do titânio: agora só será necessário medir a eficiência da produção deles, não sendo necessário acumular uma reserva com os recursos que foram produzidos.

Para quem já jogou Terraforming Mars a sensação geral é de que estamos diante de uma versão repaginada do clássico, o que pode gerar certo estranhamento no começo, mas que nem por isso trará menos diversão para os fãs de um bom jogo estratégico.

A edição brasileira

A versão nacional de Terraforming Mars – Expedição Ares é a edição de colecionador, uma tiragem especial que vem com dois destaques para quem curte jogos bonitos na mesa: tabuleiros de dupla camada e organizadores personalizados.

Os tabuleiros de jogador em dupla camada são uma maravilha, em especial para pessoas desastradas e que às vezes esbarram no tabuleiro, ficam em desespero quando os cubos de recursos saem voando pela mesa e não sabem como o jogo estava antes do acidente (como é o meu caso). Eles garantem maior firmeza aos cubinhos e ajudam a evitar acidentes.

Já os organizadores personalizados contribuem para a organização geral da mesa de jogo. É possível deixar os cubos e peças dentro deles, facilitando a partida em si, mas também ajudando no processo de montagem e desmontagem do jogo.

Outro destaque é a venda a parte de um Pacote de Promos com as cartas que foram entregues durante a campanha do KickStarter. Esse Pacote é composto por 17 cartas – 6 de corporação e 11 de projeto -, sendo um item essencial para aquelas pessoas que querem ter a versão mais completa do jogo.

Expedição Ares é pra mim?

Muitas dúvidas tem surgido em relação aquilo que se deve esperar do jogo: fãs do original se perguntam se vale a pena experimentar essa versão diferente; já quem não gosta do Terraforming Mars não sabe ao certo se o novo jogo vai conseguir lhes causar uma impressão positiva.

Se você nunca jogou Terraforming Mars, ou se jogou e não gosta do jogo original por qualquer motivo, acredito que Expedição Ares seja uma boa opção para você ter um primeiro/novo contato com esse clássico moderno. O conceito geral se manteve, porém a opção por um jogo focado nas cartas e na mecânica de seleção de ações geram uma experiência bastante diferente da original, o que pode agradar pessoas que não morrem de amores pelo título de 2016.

Já se você é um entusiasta do Terraforming Mars original, não se desespere. O conceito do jogo foi respeitado, assim como elementos fundamentais como as cartas de projeto, as corporações e a iconografia. Vai ser uma experiência interessante notar as diferenças entre Expedição Ares e o original, principalmente para aqueles jogadores e jogadoras que conhecem profundamente o Terraforming Mars.

Outro ponto interessante e a qualidade artística e de design gráfico de Expedição Ares: a identidade visual do produto é nova, trazendo elementos do original, mas demonstrando melhorias em todos os pontos em relação ao jogo original. Uma arte bonita e que está a altura da grandiosidade e beleza da exploração espacial.

Em resumo: se você gosta de Terraforming Mars, Expedição Ares é mais uma forma de desfrutar um dos jogos mais divertidos e interessantes da última década; se você não curte muito Terraforming Mars, Expedição Ares pode ser uma maneira interessante de visitar um dos melhores jogos de ficção científica disponíveis no mercado brasileiro.

Márcio Botelho

Raça: Humano. Alinhamento: caótico e bom. Classes: Historiador 6, Crítico literário 4 e Nerd 10. Tentando entender como conseguiram consertar a Inventrix.

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